poetizada

quarta-feira, 2 de março de 2011

éramos 3

Nossa macieira vem dado belos frutos e então resolvemos plantar mais uma sementinha. Daqui a algum tempo mais uma maçazita pro nosso pomar.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

amigo imaginário e uma árvore que brota no concreto

Ontem Sampa fez 457 anos... recebi por e-mail um lindo poema, depois vi esse no blog da Rê: poeminha de aniversariante e então resolvi entrar na comemoração e homenagens com uma carta que escrevi para um amigo imaginário no começo de 2007. E não é que a nossa macieira frutifica mesmo sob essas condições adversas? É a vida que encontra seus caminhos, mesmo que tortuosos.  

Por falar em nelas, me encanto com as árvores no cenário da paulicéia. Essa aí da foto fica na vila mariana.

 

Minha São Paulo

 

Companheiro poeta,

Atenderei seu pedido e te contarei sobre minha terra...
Ela é abarrotada de pessoas (quase Tóquio).
Encantadora (pitada de Paris).
Aqui a natureza é sobrevivente (devaneios amazônicos).
Caibo eu. Cabe você. Cabe o nosso coração. Cabemos todos, ora maravilhados, muitas vezes insatisfeitos.

Por aqui amigo, sobra poeira cinza e tóxica. Falta aroma de alecrim e terra molhada.
Mas também há poesia:
Que escapa na correria.
Que troca confidências no ônibus.
Que se esvai na correnteza da enchente.
Que ora por deuses diversos.
Que paralisa junto aos automóveis na via.
Que comunica a língua cibernética, celebrando palavras estrangeiras.

Caro B.F., aqui as fêmeas desfilam sua androginia e machos tentam resgatar o provedor que lhes resta.
Aqui as necessidades se constroem a partir de futilidades. E certos rótulos passam a ser fetiches. Ninguém ousa se perguntar ao menos aonde quer chegar.

Vivo numa terra aonde Amélie Poulain, Desdêmona, Laura Palmer e Bridget Jones poderiam ser contemporâneas. E cruzarem no mesmo dia a grande avenida cosmopolita.

Espero tua visita para compartilhar nossos questionamentos qualquer dia. E te espero com uma xícara de um artigo de luxo hoje: café de coador.

Abraços
MT 

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Édipo Rei

Caetano foi visitar a vovó no interior, e como sempre queremos mostrar suas novas habilidades.

- Fala pra vovó que você já sabe falar filho. Fala: vovó.
- "vaulvaul"
- Titio
- "titi"
- Papai
- "papai" (assim mesmo, perfeito)
- Mamãe
- "papai"
- Não Caetano, fala: mamãe, mamãe, mamãe!
- "papai, papai, papai"


Sófocles não sabia da missa um terço.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

aprendendo juntos

Filho, hoje você vivenciou uma frustração com uma colega da escola, a primeira que eu assisti e que não foi causada por mim. 
Você observava a menina (de uns 3 anos) passeando pra lá e pra cá com uma mochila fofa de rodinhas, quando ela deixou a mochila no chão e foi brincar, você rapidinho pegou a mochila e saiu feliz carregando pelo jardim. Eis que a menina veio e arrancou a mochila da sua mão, e quase brava, levou a mochila embora. 
Você começou a chorar, um choro doído, e eu fui até você, te dei um abraço, você retribuiu e chorou, chorou...
Fiquei confusa, uma espécie de raiva por você ter se frustrado, mas ao mesmo tempo acreditando que isso é normal e até saudável. Sim, saudável. Eu mesma frustro você muitas vezes, não por maldade, mas sim para te ensinar os limites, o respeito. Então rapidamente a raiva foi embora e veio a vontade de te ensinar (e aprender) que lições como essa devem ser encaradas com naturalidade e sem rancores.

update:  a noite Deri (que estava junto na escola) veio me dizer que a minha atitude foi bacana, pois ao pegar Caetano no colo eu expliquei pra ele que a mochila não era dele e a menina não queria emprestar naquela hora. Simples e claro. E disse que se eu tivesse pedido a mochila pra menina e dado pro Caetano eu teria perdido uma bela oportunidade dele vivenciar a sua frustração e estaria ensinando que ele pode tudo. É claro que ele me conhece e sabe que essa opção apssou pela minha cabeça.

domingo, 28 de novembro de 2010

rapidinha

Nos preparando para sair eu pedi pro Deri colocar o crocs no Caetano (aquele sapato feio e super confortável). Dai eu estou escovando os dentes e Caetano chega com pé calçado e outro na mão, eu falo:
- Filho, não tira o sapato que seu pai acabou de colocar!
E o Deri grita da sala:
- Mas eu não coloquei o sapato nele ainda!!!!!
Eu largo a escova, Deri vem correndo e começamos a chorar de emoção.
- Nosso bebê está crescendo...
Ok, a parte em que choramos é mentira, só pra dar um "grand finale". Mas filho, 1 ano e 6 meses calçando o sapato sozinho? Calma que você tem toda vida pra ser independente.

*Caetano e o crocs na foto gentilmente cedida pela amiga Pérola.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

sonâmbulo

Filho, eu espero que quando você tiver idade pra ler e entender o que tá escrito aqui, você já saiba como é bom dormir, e nessa hora que você estiver naquele sono bem gostoso eu vou até a sua cama (até lá imagino que terá saído da nossa cama), sentar e começar a contar piadas sem pé nem cabeça e te chamar para trocar uma idéia... vamos ver se você vai me mandar de volta pra minha cama dizendo que tá cansado ou se vai rir rolando de um lado pro outro achando que eu tomei alguma coisa diferente.

Eu agora oscilo entre os dois comportamentos. 

Agora, agorinha eu tô rolando de rir porque é seu pai que está tentanto te ninar. Quando chegar meu turno poderei achar menos engraçado. 

De qualquer maneira é interessante essa sua necessidade esporádica de querer brincar  de "achou!" e conversar (cara, fala mais que a nêga do leite!) quando é hora de dormir.

(update: a cena toda aconteceu por volta de 22:30)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

bon appetit

Olha, vou contar uma coisa do Caetano que vai fazer muita gente se espantar...é...já algum tempo eu queria dividir isso mas tinha vergonha. 
Mas agora resolvi me abrir e vou falar: meu filho come a mesma quantidade que um adulto! E veja que ele é até um rapaz magrinho.

Todo mundo fica de queixo caído quando vê o menino comer. Eu não faço idéia a quem ele puxou.
Agora que ele está na escolinha volta e meia as meninas mais velhas que almoçam com ele vem falar comigo, é muito engraçado:
"O Caetano pegou a minha couve flor ontem!", "Ele tomou o meu chá!" 
As professoras dizem a mesma coisa: 
"Ele come bem, né?"

Enfim, fazer qualquer refeição com ele é sempre um prazer enorme, vê-lo experimentar de tudo, comer com gosto. Provar cores, texturas, sabores. 
Faz um tempinho ensinamos o pequeno a pegar as frutas e cheirar, primeiro cheiramos e dizemos: "hummm que goiaba gostosa", depois damos pra ele que faz a mesma coisa e faz o barulhinho também: hummm!!!

Esse será um moço que não irá recusar convites para almoço e jantares...

comendo uma maçã na festa da escola, depois que todos já tinham comido ele ainda continuou firme e forte ;-)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

inspiração não é somente a entrada de ar no pulmão


Olha só filho, teu pai que é poeta anda experimentando outros gêneros. Você tem sido uma grande inspiração pa ele, que me disse ter escrito esse conto pra você. 
Engraçado é que um dia ele virou e me disse que na verdade, percebeu durante sua sessão de terapia, ele escreveu isso para sobre nós dois. Sobre nossos desejos infantis. E que a pipa.... ahhhh, chega, não vou entregar tudo. Quem quiser ler ai está:



A pipa

         Havia, em uma cidadezinha bem pequena, um garotinho que adorava empinar pipas. Ficava horas na rua ou em cima de sua casa empinando suas pipas.
         Além de empinar, ele adorava fazer pipas. Fazia com tanto amor e tanta dedicação (apesar de nem conhecer essa palavra ainda) que suas pipas eram reconhecidas por todos na cidade. Todos, quando olhavam para o céu, sabiam que aquela pipa era dele.
         Um dia, depois da aula, ele viu uma menininha que estudava com ele, (se viam sempre, mas nunca haviam se falado) chorando na porta da sala. Quando ele perguntou a ela o que havia acontecido, ela disse ter brigado com os amigos porque falou que as pipas que ele faz são as mais bonitas, e os amigos respondiam: Não é, não!
         O menininho disse: Não fique assim. Fico muito feliz que sejam as mais bonitas pra você! E ela sorriu.
         No outro dia o pai da menina foi na casa dele e disse que sua filha ainda estava muito triste com o que os amigos disseram; e lhe pediu para fazer uma pipa que mostrasse para os outros que ele poderia fazer as mais belas pipas.
         O menino pensou na menina e aceitou o desafio.
         No domingo, no parque, o menininho chegou com uma caixa na mão. Todos o rodearam e o viram, com calma, tirar uma pipa da caixa e dar para a menina.
         Todos ficaram com os olhos arregalados e a boca aberta. Diziam todos juntos: Que pipa mais linda! Que perfeita! A pipa mais linda do mundo!
         Era marrom, com dois pontos castanhos, um traço vermelho e longas rabiolas pretas. E brilhava... Brilhava mais que o sol.
         Todos queriam pega-la, mas a menina não deixava. E todos viam a linda pipa por trás de seus ombros.
         O pai da menina, totalmente feliz e maravilhado com a beleza da pipa, perguntou: Nossa, como você conseguiu fazer uma pipa assim? Tão linda, tão perfeita... Com um material tão diferente... Que material é esse que você usou?
         E o menininho respondeu: Eu usei espelhos.

Deri Alves