poetizada

sexta-feira, 30 de julho de 2010

quando foi que...


Eu aqui revendo com saudades as fotos do meu pequeno desde seu primeiro dia nesse mundão, me dei conta de como ele mudou e cresceu e de repente percebo que não marquei nenhuma data, sabe essas coisas de primeira vez? A primeira vez que:
sorriu
sustentou a cabeça
virou
sentou
engatinhou
ficou em pé
falou suas palavrinhas
dentinhos
arriscou os primeiros passos
etc

Ai antes que eu me sinta (mais ) frustrada me lembro dessa frase do Mário Quintana:
"Mas por que datar um poema? Os poetas que põem datas nos seus poemas me lembram essas galinhas que carimbam os ovos..."
E sigo (quase) sem culpas por não ter isso tudo anotado num álbum...


(Agora me pergunto: porque continuo colocando data nas minhas poesias? Vai entender...)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

tirando os escritos da gaveta

estava mesmo faltando poesia por aqui, agora tem mais, olha aqui: http://versificados.blogspot.com/2010/06/mais-versificados-em-sao-paulo.html


 
rimas flutuam no ar como pequenos balões
algumas viram poesia 
outras eu não alcanço 
  
(e na foto flutua a lua entre fios de alta tensão - Araraquara, out/2009)

terça-feira, 8 de junho de 2010

o estandarte do sanatório geral vai passar* (ou: eu tô na moda!)

Dá pra deixar a consciência pular o carnaval, tirar umas férias? Carnaval, família toda reunida, eu imaginei que algum assunto relacionado a maternidade pudesse surgir e com ele uma possível discussão. Porém , no lugar da discussão inteligente levei uma "bofetada" que ficou atravessada, sei que cada um dá sua opinião baseado nas suas próprias experiencias e limites, o que me incomoda são as incoerências: escuto um discurso a favor do parto natural mas t o d a s foram submetidas a cesarianas, ouço dizerem que amamentação é a melhor coisa, mas dão leite artificial sem nenhuma justificativa razoável.

Fui chamada de radical, ouvi que era falta de respeito eu falar pra outra familiar que ela poderia esperar a hora do filho estar pronto para nascer, que não era necessário marcar a cesariana. Oras, respeito é calar? É...pensando bem respeitar é aceitar as escolhas do outro, e isso pode significar o nosso silêncio diante de algumas coisas. E jogar nossas sementes em solo fértil, quem tem ouvidos para ouvir, ouça. **

Agora dizer que parto natural é moda é muito maluco, pois a nem tantos anos atrás essa era a única maneira  dos filhos virem ao mundo, claro que a cesariana veio para salvar vidas, mas essa inversão de achar que o nascimento através de uma cirurgia é o normal eu custo a compreender. Como disse a Roselene: "...Parir não é moda feminina, parir (hoje) é resgatar o feminino em sua plenitude. Parir não é virtude, muito menos deveria ser privilégio. Parir é potencializar sensações intrínsecas de máximo prazer e afetividade. O ativismo pelo parto natural e ativo é o ativismo pelo direito ao prazer, à sexualidade, ao vínculo afetivo." 

** "Eis que o semeador saiu a semear.
E quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na;
E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda;
Mas vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz.
E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, e sufocaram-na.
E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta.
Quem tem ouvidos p
ara ouvir, ouça."
(Mateus, XIII, 3 a 9) 

* "vai passar", chico buarque

(ps -  sei que o carnaval já passou faz tempo, mas só agora consegui engolir essa)

terça-feira, 25 de maio de 2010

o 1º a gente nunca esquece

Filho, há um ano atrás você me enviou sinais que estava pronto, te dei a mão e juntos iniciamos mais uma etapa da nossa jornada. Faz um ano que eu não sei mas quem eu sou sem amar você. Você me deu tanta coisa de presente que não existe obrigada que possa dar a dimensão da minha gratidão. Com a sua vinda eu me tornei mãe. Sua vinda me trouxe novos horizontes profissionais. Trouxe uma nova relação com a família e também amigos muito especiais de presente. Com você e para você sou mais forte, criativa. Hoje tenho um olhar diferente para meu corpo, minha saúde. Há um ano sou feliz sem dormir mais de quatro horas seguidas. Há um ano todos os meus dias são agradáveis surpresas. Incrível como eu olho pras suas fotos de um ou dois meses e me pego nostálgica, como você está diferente. Dá vontade de congelar o tempo pra ter você guardadinho em todas as fases, ao mesmo tempo que é uma delícia te ver crescer e descobrir teu jeitinho. Você é uma criatura adorável filho, teu sorriso sincero inunda meus dias e faz a vida ser mais leve e gostosa.


Parabéns pra você, meu menino dos olhões de jabuticaba mais doces do mundo.

(24 de maio de 2010)

domingo, 9 de maio de 2010

entendi o que é ser feliz (todo dia)


Filhote, você sorri sempre e das maneiras mais diferentes possíveis, mas hoje foi especial. Saiba você que datas como o dia das mãe pra mim não significam muito. 
Mas quando eu apareci na porta e você primeiro me olhou nos olhos com cumplicidade pra depois abrir o sorriso mais lindo e doce que eu já vi na vida, eu senti ali que mãe tem que mesmo é ser feliz, não tem jeito.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

parteira contemporânea

mensagem de celular trocada com a parteira (sim, parteira moderna é outra coisa, troca até sms):

- acabei de saber que a sra. esteve em São Paulo e não me ligou. dá próxima vez eu te pego. beijos.
- fui muito rápido minha querida. beijo e saudade.
- tenho saudade pô, vou engravidar só pra você vir aqui me ver! hahaha
- você é uma figura!




A escultura romana de uma parteira em um nascimento
(Dell Isola Sacra, Ostia, no século 1 dC)

sábado, 17 de abril de 2010

novo tempo

O projeto macieira: eu, Deri e Caetano, estamos passando para uma nova fase, que nem videogame mesmo, novas dificuldades, novos horizontes. 

No mais eu quero compartilhar, não só essa música, mas sonhos em comum. E quem sabe longas conversas e amizades despretensiosas. Deliciosas.

No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça
 
(Novo Tempo, Ivan Lins)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

sumiço, chuva, lispector e picasso

Estou cheia de coisas pra contar aqui, mas o tempo está escasso. Pra completar essa chuva incessante e esse frio me pegaram de jeito...

 

Dai me veio esse trecho a mente:

"...Da segunda vez em que se encontraram caía uma chuva fininha que ensopava os ossos. Sem nem ao menos darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia lágrimas escorrendo.           
Da terceira vez em que se encontraram – pois não é que estava chovendo? _ o rapaz, irritado e perdendo o leve verniz de finura que o padrasto a custo lhe ensinara, disse-lhe:          
_ Você só sabe mesmo é chover!              
_ Desculpe.           
Mas ela já o amava tanto que não sabia como se livrar dele, estava em desespero de amor.
...
Ela sabia o que era o desejo – embora não soubesse que sabia. Era assim: ficava faminta mas não de comida, era um gosto meio doloroso que subia do baixo-ventre  e arrepiava o bico dos seios e os braços vazios sem abraço. Tornava-se toda dramática e viver doía. Ficava então meio nervosa e Glória lhe dava água com açúcar."
Clarice Lispector, A Hora da Estrela

Vou me aquecer um pouco e já volto.

A imagem que me lembra muito a Macabéa é "Jaqueline de Mãos Cruzadas" de Pablo Picasso, 1954